História dos Desbravadores Mundo
Até o início
do século XX faltava à juventude adventista um bem dirigido programa de
atividades designadas especificamente para suprir as suas necessidades, uma
situação no qual os líderes denominacionais na Associação Geral, União e
Associações Locais pareciam despercebidos. Em vista de que eles queriam estar
mais preocupados com o evangelismo, os próprios jovens e alguns leigos adultos
iniciaram a Sociedade dos Missionários Voluntários e ao Clube dos Desbravadores
que se tornaram os maiores programas da denominação.
O Programa
Missionário Voluntário que foi adotado na Conferência Geral em
1907 era basicamente espiritual e, por conseguinte satisfazia somente
parcialmente as necessidades dos jovens. Alguns meninos adventistas desejaram
unir-se aos escoteiros que se estabeleceram em 1910, mas enfrentaram
problemas já que as atividades dos escoteiros conflitavam com as crenças
adventistas e as práticas adventistas, incluindo o culto do sábado, ida ao
cinema, a danças, a dieta e atividades missionárias.
Respondendo a esta situação, o
Departamento dos Missionários Voluntários expandiu seu programa numa tentativa
para prover treino físico, mental, social e técnico através das Classes
Progressivas, das Especialidades e de Acampamentos.
Em resposta à sugestão de Bill, os meninos esvaziaram os pneus de todos
os carros que estavam estacionados perto da casa e se esconderam no mato.
Descobrindo que seus carros tinham os pneus vazios, os pais chamaram a polícia
para pegar os gangsters que haviam se comportado daquela maneira e como uma
afronta à sociedade deviam ser detidos. As Classes Progressivas, agora Classes
dos Desbravadores, ofereciam instrução religiosa, estudo da natureza, e
aquisição de novas técnicas. A Associação Geral adotou os nomes de Amigo,
Companheiro e Guia para as Classes em 1922. O menino ou menina com dez anos de
idade, ou na quinta série, podia tornar-se Amigo. Completando os requisitos,
ele participaria num serviço de investidura, numa cerimônia especial, no qual
aqueles que passaram no teste eram investidos e recebiam os seus distintivos,
certificados e também comendas aos distintivos das especialidades. Os meninos e
as meninas conseguiam ou ganhavam especialidades JA em muitos campos diferentes
enquanto trabalhavam para cumprir os requisitos das Classes. C. Lester
Bond, secretário do Departamento de Jovens da Associação Geral, obteve a
permissão do líder dos escoteiros para usar algumas de suas idéias e materiais
ao ele preparar a especialidade em 1928.

C. Lester Bond
Alguns líderes da igreja o acusaram consequentemente de trazer o mundo
para dentro da igreja. No entanto, Bond incorporou idéias dos escoteiros e
materiais num programa dos Missionários Voluntários Juvenis.
Por volta desse tempo a denominação temendo que um acampamento de verão não-adventista
pudesse trazer uma influência negativa sobre os jovens adventistas, organizou
seus próprios acampamentos de verão. O primeiro foi organizado na cidade
de Lina Lake, Michigan, em 1926. Através dessas iniciativas dos líderes
dos jovens, incorporavam atividades seculares no programa jovem, mas a
Sociedade dos Missionários Voluntários da Igreja e a Escola da Igreja local, as
quais eram responsáveis para implementar o programa, continuavam a dar ênfase
aos elementos espirituais. A Sociedade dos Missionários Voluntários se reunia
aos sábados e limitava as suas atividades às que eram apropriadas para o
sábado. Raramente planejavam atividades seculares, exceto sociais para o sábado
á noite na Igreja ou uma excursão ocasional.
Os meninos e as meninas, por conseguinte necessitavam de um programa
efetivo centralizado na igreja que pudesse provê-los com oportunidades para
explorar, para experimentar e desenvolver técnicas enquanto ao mesmo tempo os
levava a uma sincera entrega para a vida cristã.
Uma história não documentada intitulada "Fora da
Janela" apareceu no Departamento dos Missionários Voluntários para
mostrar como a juventude adventista anelava por mais atenção por parte da
igreja. Conta-nos que os meninos Dom e Bert se uniram aos meninos da vizinhança
no parque numa noite enquanto seus pais estavam fazendo uma festa na Casa da
Don. Os meninos foram para a casa e cautelosamente olharam através da janela
para ver o que estava acontecendo, sentindo-se negligenciados e desejando
também participar da festa. Eles tinham esperança de organizar um Clube e
pediram ao pai de Bert por ajuda, mas ele estava muito ocupado e recomendou que
eles pedissem ao Sr. Miller, professor da escola. Ele também estava muito
ocupado. Os meninos ainda estavam procurando alguém para ajuda-los naquela
noite, e um menino disse: Se os pais têm tempo para as suas festas como esta,
eu penso que eles deveriam ter tempo para ajudar-nos.
Imaginem quão chocados eles ficaram quando os "vagabundos"
foram identificados. Numa seção da corte juvenil, no dia seguinte, o juiz
Simpson descobriu que os pais dos meninos estavam tão ocupados para atender os
seus filhos e que a igreja não tinha suficientes atividades recreativas para
eles. Repreendeu o pai de Bert e o pastor da igreja por serem delinquentes e
mencionou que era tempo para que os pais e a igreja se despertassem de sua
letargia e planejassem um programa positivo para os jovens.
No esforço para satisfazer as necessidades da juventude adventista, alguns
membros da igreja começaram a organizar para eles no início de 1911, mas não
desenvolveram um programa unificado. A Associação Geral também não tentou
organizar um clube e nem endossar o estabelecimento de um Clube até meados do
século XX. Clubes experimentais incluindo Woodland Clan,
os Escoteiros Missionários, os Índios Takoma e os Pals,
surgiram em Takoma Park Maryland.
Influenciado pelos escoteiros, Harold Lewis, que começou os Pals,
incorporou algumas de suas idéias, incluindo excursões e acampamentos e um
Clube. Pouco é conhecido acerca desses clubes, exceto que eles não estendiam a
oportunidade para as meninas. Poucos anos mais tarde, Newton Robinson, diretor
do Currículo Normal do Union College, Lincoln, NE, decidiu experimentar com um
programa revisado do Departamento dos Missionários Voluntários. Ele começou o
Clube chamado Boy Pals com jogos, excursões, fogueiras, trabalhos manuais, e
habilidades recomendadas pelos líderes MV. Mas não havia nenhuma evidência que
o Clube de Robinson tinha algum significado permanente.
Em 1919, entretanto, Arthur Spalding, editor do Wathman Magazine,
aventurou-se numa atividade similar do Sul. Ele começou um Clube chamado
os Escoteiros Missionários sem seu lar em Madison, Tenessee, para seus
dois filhos, Ronald e Winfred, e alguns de seus amigos, em resposta ao desejo
de unirem-se aos escoteiros da América.
Arthur W. Spalding
A idéia em realidade originou-se com Winfred, que pediu, ao estar
passando por um acampamento de escoteiros com seu pai e seu irmão, sábado á
tarde, que lhes permitisse acampar. A sugestão fez tal impressão sobre Arthur
Spalding que ele começou a pensar em organizar um Clube para meninos
adventistas. Ele estudou a organização e os regulamentos dos escoteiros, fez
alguma revisão e formulou novas diretrizes, as quais ele pensou se adaptariam
melhor para uma organização de jovens adventistas. Depois de algum tempo num
domingo na primavera enquanto Spalding e seus filhos estavam trabalhando no
jardim, Ronald expressou o desejo de ir acampar. Por esta ocasião Spalding agiu
prontamente. Juntos, naquela tarde fizeram planos para um Clube e decidiram que
meninos convidar.
Na próxima Sexta-feira foram acampar e usufruíram de um fim de semana fazendo
excursões no verão. Atividades adicionais do Clube incluíam trabalhos manuais,
trabalhos em madeira e seguimento de pista. O Clube de Spalding desenvolveu os
regulamentos e idéias que foram fundamentos para o moderno Clube de
Desbravadores. O Clube adotou o Voto e a Lei, que formava a base para aqueles
usados pelos missionários, pela Sociedade dos Missionários Voluntários Juvenis
e os Desbravadores.
Que Spalding adotou idéias dos escoteiros é evidenciado na similaridade
entre o voto JA e a Lei dos escoteiros e a Promessa e Lei achada no Manual do
Escoteiro Mestre. Ambos os votos requerem dos jovens que trabalhe para Deus e
para o homem, que mantenham altos padrões morais e que guardem a Lei do Clube.
Ambos conjuntos de Lei incluem em qualidades que devem ser imitadas:
obediência, veracidade, cortesia, lealdade, alegria, respeito, amizade e
reverência. Através da Lei ou do Voto do seu Clube, Spalding em contraste com
os líderes de outros clubes, contribuiu para alguma coisa de significado
permanente.
Uma série de eventos que começou na Califórnia no fim de 1920 levou ao
desenvolvimento do primeiro Clube a usar o nome de Desbravador. John
McKim que cuidava de uma escola pública, e era um experimentado escoteiro,
pensou que os meninos e meninas da Igreja Adventista do Sétimo Dia de Santa Ana
necessitavam de um programa com atividade similar aquela dos escoteiros. Ele
reconheceu que os jovens adventistas que se uniram aos escoteiros teriam
problemas com as atividades dos escoteiros que conflitavam com algumas
doutrinas e práticas da igreja adventista. Ele, por conseguinte organizou os
meninos da Igreja de Santa Ana num clube, mas reunia em Anaheim, no condado de
Orange, onde ele vivia. As meninas mais tarde tornaram-se membros do Clube
supervisionadas pela esposa de McKim.
Em 1930, outro clube para meninos da Igreja de Santa Ana surgiu sob a liderança
do Dr. Theron Johnston. Ele se encontrava com os juvenis no porão de sua
casa em Santa Ana, ensinando-os técnicas de rádio e eletrônica. Sua filha
Maurine tinha o ajudado com rádio e protestou quando não lhe foi permitido
entrar no Clube. Como resultado sua mãe começou o clube para meninas, que se
reunia no porão.
Os Clubes de McKim e Johnston se encontravam uma vez por mês no lar de Johnston
para reuniões em conjunto e iam acampar, faziam excursões a cada 3 meses. Os
membros do Clube também se uniram ao coral juvenil do condado de Orange, que
era dirigido pela Sr. McKim e cantavam nas regiões evangelísticas. Eles também
se reuniam regularmente num dia de semana aprendendo técnicas e estudando a
natureza ao estarem cumprindo os requisitos de Amigo, Companheiro e Guia. Seu
uniforme era apenas uma camisa especial.
Ambos os Clubes usaram o nome de Desbravadores escolhidos por McKim. Não há
certeza onde é que ele obteve aquele nome, porquanto provavelmente aprendeu em
1928 no primeiro acampamento conduzido pela Associação do Sudeste da
Califórnia.
Um dos oficiais da Associação no Acampamento contou-lhe a história de John
Fremont, um explorador americano ao qual se referiu como desbravador. McKim
podia ter ouvido então o nome e decidiu usá-lo para seu clube que foi formado
no ano seguinte.
Mesmo formado para os jovens de Santa Ana, os clubes não receberam o
reconhecimento e apoio dos membros da igreja que argumentavam que eles não
necessitavam de um clube secular para os jovens e nem desejavam escoteiros nem
escoteiras na igreja. Eles acusaram McKim e Johnston de trazer o mundo para a
igreja e os ameaçaram de discipliná-los, desligá-los da igreja se eles não
abandonassem os clubes. C. Lester Bond, diretor associado dos jovens para
a Associação Geral e outros também temiam que o nome Desbravador pudesse
substituir o nome religioso Missionários Voluntários. Não desejando que
atividades seculares tomassem lugar das espirituais, eles desencorajaram o uso
do nome Desbravador e a idéia de um Clube secular. A despeito dos esforços que
McKim e Johnston fizeram, ambos os clubes cessaram de existir depois de 1936,
mas a idéia de desbravar sobreviveu e os clubes de Santa Ana permaneceram como
precursores do Clube de Desbravadores na Califórnia em particular e na América
do Norte e no mundo geral.
A Associação do Sudeste da Califórnia continuou usando o termo
Desbravador. Ela chamou o acampamento que estabeleceu em Idyllwild em 1930 de
Acampamento do Desbravador MV, evidentemente por causa do relacionamento do seu
programa e aqueles dos Clubes de Desbravadores de Santa Ana. Lawrence Skinner,
pastor adventista, continuou mais tarde a idéia de Desbravador quando ele
organizou o primeiro clube permanente em Glendale em 1937. Lawrence Paulson, um
empregado do Hospital de Glendale, assumiu a liderança do Clube em 1939, 1940,
e sob sua guia o clube começou a crescer.
Lawrence Skinner
O Curso da Formação de Socorrista-Padioleiro era muito forte então e
parecia tempo apropriado para os Desbravadores crescerem, diz Skinner. O Clube
incorporou a ordem unida e marcha praticada pelos socorristas-padioleiros em
seu programa e usava membros dos socorristas-padioleiros para ensinar os
desbravadores.
Na década de 40, os clubes dos desbravadores cresceram através da América do
Norte, alguns começaram na Califórnia, o centro das atividades dos
Desbravadores, e outros começaram no noroeste do Pacífico.
Em 1944 Skinner foi para a União do Pacífico Norte, como Diretor de
Jovens e estimulou o interesse no Clube de Desbravadores, mesmo que não tivesse
por si mesmo iniciado nenhum clube. Em vista de que a Associação Geral ainda se
opunha á criação dos desbravadores, Skinner decidiu chamar os novos clubes
de "Trailblazers" (que abre caminho); um destes clubes
envolvia meninos e meninas de 10 a 15 anos de idade. Seu programa era similar
ao programa dos clubes de desbravadores, hoje, incluindo as Classes JA e
Especialidades, investidura, acampamento, cozinha, excursões, seguimento de
pista, estudo da natureza, nós, primeiros socorros e assim por diante. Os
membros tinham um uniforme verde selva, que usaram no dia do MV Trailblazers. A
idéia do Trailblazers se espalhou pela Califórnia também onde Bem Mattison,
diretor de Jovens da Associação começou um Clube na Associação do Norte da
Califórnia. Antes da organização de Mattison, entretanto, o primeiro Clube
patrocinado pela Associação se desenvolveu em Riverside, 1946, sob a direção
de John Hancock, diretor de jovens da Associação do Sudeste da Califórnia.
Logo depois que Hancock voltou do Acampamento de verão daquele ano, uma mãe dos
acampantes o visitou expressando o desejo de que o acampamento tivesse a
duração de um ano. Quando perguntada por que, ela explicou que seu filho tinha
recebido uma grande benção durante o acampamento de verão. A conversação
impressionou Hancock, a começar uma organização que tivesse um efeito similar
sobre os jovens através do ano. Hancock sabia dos desbravadores em Santa Ana e
do Trailblazers e ele decidiu organizar um clube similar.

John Hancock
Francis Hunt, um estudante do La Sierra College e sua esposa serviram
como os primeiros diretores do clube e Orva Ackerman foi uma das conselheiras.
O grupo começou com 15 membros que com seus líderes se reuniam no lar dos
Hancocks. O estabelecimento deste clube patrocinado pela Associação marcou um
importante passo na história do desbravador, em vista de que a Associação tinha
se unido com a igreja local para ajudar a cumprir a missão da igreja à sua
juventude.
No mesmo ano, Skinner, ardente advogado de tais grupos, tornou-se Diretor
Associado da Associação Geral. Naquele tempo J.R. Nelson servia como Diretor de
Jovens da União Pacífico na qual existiam os Clubes de Desbravadores. A
presença de Paulson na igreja de Glendale, Mattison e Hancock na Associação
Local, Nelson na União e Skinner na Conferência Geral estabeleceram um ponto
para o desenvolvimento e adoção de um programa unificado para os desbravadores.
Também em 1946, Hancock acrescentou um novo item no clube de
desbravadores desenhando o emblema dos desbravadores. Os três lados do
emblema representam o desenvolvimento físico, mental e espiritual dos jovens. A
espada representa o Espírito Santo e o escudo a Fé. Juntos eles indicavam que o
Clube era uma organização espiritual, relacionada com a igreja. O ano de 1946
foi um ano chave na história de movimento dos desbravadores.
No ano seguinte o departamento de jovens da Associação Geral pediu a União
Pacífico para desenvolver um programa unificado dos desbravadores. Dirigidos
por Nelson, uma comissão de Diretores de jovens da Associação local e alguns
leigos, incluindo Paulson, começaram a trabalhar o programa. A sugestão de
Paulson, que um livro de registros fosse providenciado para o resultado dos
desbravadores, na publicação dos livros de registros dos Missionários
Voluntários designado para permitir um acurado relatório do trabalho feito no
Clube de Desbravadores e nas Classes MV. A comissão levou vários anos para
organizar o programa e naquele tempo os clubes ganhavam novos feitios.
Henry Bergh, Diretor de Jovens da Associação Central da Califórnia, desenhou
a bandeira dos desbravadores em 1948. Os quadrados azuis significando
lealdade e coragem enquanto dois quadrados brancos representando a pureza. O
emblema dos desbravadores, que se encontra no meio da bandeira, colocava uma
interpretação diferente daquela dada por Hancock. A espada representava à
palavra de Deus e o escudo a verdade.
Além de adquirir novas feições, os Clubes de Desbravadores da Califórnia
começaram a se multiplicar. Motivados pelas atividades do grupo de Don Palmer
em Loma Linda e pelo seu desejo pessoal de trabalhar com os jovens, Mervyn
Maxwell, um pastor, juntamente com sua esposa, estabeleceram um clube na igreja
de Alturas no norte da Califórnia em 1949. Os Maxwell dirigiram as reuniões do
Clube em seu lar e permitiram que os estudantes de música da Sr. Maxwell que
não eram adventistas se unissem. Eles chamaram o Clube de O Pentáculo. Os
membros adotavam a ordem da "água fria" significando que eles
mostravam bondade de maneira prática.
Em um ano, os membros do clube trabalharam nas especialidades MV, incluindo
fotografia, trabalhos em couro, cozinha e ciclismo, completando os
requerimentos de Amigo e Companheiro, saíram em excursões e participaram em
cerimônia de investidura. Numa dessas excursões eles descobriram um rio gelado numa
caverna vulcânica. Assistido pelo irmão Lawrence Mervyn Maxwell dirigiu a
cerimônia de investidura com a permissão de Glen Fillman, diretor de jovens da
Associação, que teria que viajar 500 milhas para chegar a Alturas. Apesar de
pequeno, o clube estava tendo êxito.
Em 1950, Lawrence Maxwell, com a ajuda de Janie Pryce, um professor,
organizaram os Índios Napa, no Norte da Califórnia. Eles dividiram os
meninos e as meninas em unidades que se reuniam separadamente em lares
diferentes, mas que tinham reuniões juntas uma vez em algumas semanas. Em vista
de que algumas unidades não estavam tendo êxito, Maxwell eventualmente
abandonou a idéia de permitir que as unidades se reunissem separadamente e
trouxe todos os 50 ou 60 jovens para uma reunião em conjunto. Os membros
fizeram uniformes especiais de um tecido cinzento fabricado em Napa.
À medida que esses novos clubes se desenvolviam, a comissão de Nelson completou
seu trabalho e apresentou o programa que tinha desenvolvido para o Departamento
de Jovens da Associação Geral. Em 24 de Agosto de 1950, a comissão da
Associação Geral oficialmente reconheceu o programa do Clube de Desbravadores.
Ela aprovou o folheto que devia ser usado como guias na organização de clubes.
Também recomendou que as reuniões fossem semanalmente, ou uma vez cada duas
semanas, num dia de semana, e que as atividades incluíssem excursões,
acampamentos, hobbies e recreação. É significativo que somente quatro anos
antes Skinner tinha se tornado Diretor Associado do Departamento de Jovens da
Associação Geral, tivesse feito uma importante decisão de interesse para a
juventude adventista. Os líderes tinham finalmente reconhecido que os
Desbravadores ajudariam os meninos e as meninas a se tornarem bons cristãos e
que o clube animaria o uso das classes MV e o nome Missionário Voluntário. A
vista dos líderes dos Escoteiros Nacionais aos escritórios da Associação Geral
em 1949, pode também ter influenciado os líderes da igreja a desenvolverem seu
próprio Clube. Quando os adventistas se recusaram a aceitar o convite dos
líderes dos escoteiros para unir-se à sua organização, os escoteiros observaram
que a denominação não tinha os recursos para executar um programa de êxito. Os
líderes da igreja podem ter tomado esse comentário como um desafio.
A Associação Geral continuou a ver os Desbravadores com reservas, apesar disso.
Em vista de que ainda se temia que o Clube pudesse superar a Sociedade dos
Missionários Voluntários, a Associação Geral apresentou o Clube de
Desbravadores como um programa da Sociedade MV que reconhecia a necessidade
física, mental, social e espiritual dos meninos e meninas de 10 a 15 anos de
idade.
O Clube adotou o Voto e a Lei, os clubes de leitura, o ano bíblico juvenil, a
devoção matinal, as especialidades MV, cerimônia de investidura e as classes MV
do programa dos juvenis. Também em 1950, a Associação Geral mudou o nome da
Classe Camarada para Guia, por causa da Associação termo "camarada"
com o comunismo. Em 1956, o Departamento de Jovens inseriu a Classe de Pesquisadores
entre a classe de Companheiro e Guia, e a Pioneiro que foi acrescentada entre
Pesquisador e Guia em 1966.
Em adição às feições adotada do Programa dos Missionários Voluntários, o clube
de Desbravadores introduziu nova ênfase para ampliar o seu apelo. Instituiu o
Sistema de Mérito através do qual recompensava os membros do clube por
realizações especiais, oferecendo o distintivo de Excelência, reconhecimento e
boa conduta. O sistema de mérito animava o desenvolvimento de traços tais como:
auto controle, iniciativa individual, esportividade, trabalho em equipe e
respeito pelo direito e trabalho dos outros. Também, um clube de desbravadores
podia ganhar um certificado de realização anual no qual a Associação local
recompensava os clubes que tivessem cumpridos determinados requerimentos. A
ordem unida e a marcha tornaram-se uma parte importante do programa dos
Desbravadores. À medida que eles tentavam cumprir os requisitos, os clubes
solicitam a presença dos pais, e de outros adultos que mostravam interesse em
suas atividades.
Através do auxilio de pais de desbravadores, adultos se desenvolveram nas
atividades dos jovens, ajudando a levantar fundos para os projetos do clube, e
também a compartilhar suas técnicas com os meninos e as meninas.
O resultado se seu trabalho, incluía vários trabalhos manuais e de artesanato,
que eram mostrado em feiras especiais. A feiras dos desbravadores, uma ocasião
festiva anual para os clubes dos desbravadores, começou em 1951. Ela era o
clímax do programa do ano e provia às crianças as oportunidades de participarem
de várias atividades e mostrar a sua melhor atuação. Cada unidade do clube
observava o que os outros clubes fizeram e se beneficiavam com o intercâmbio de
idéias. Os índios Napa realizaram a primeira feira de que se tem relato no
sanatório da Escola de 1º Grau em Santa Helena, Califórnia, em 1951, mas
somente os membros daquele clube participaram. O Oregon realizou sua primeira
feira na Academia Eugene, apresentando demonstrações da ordem unida, cinco
eventos ao ar livre, incluindo salto em extensão, armação de barracas,
lançamento de sapato, queima do barbante, revezamento e prova de velocidade
para atar nós.
Reconhecendo a necessidade de liderança qualificada para efetivamente
implementar o programa de desbravadores, o Departamento de Jovens da Associação
Geral publicou em 1951 o Curso de Treinamento para a Diretoria, editado
por Lawrence Skinner, John Hancock e Lee Carter. O curso incluía treinos
sobre a psicologia da adolescência, liderança de recreações, projetos da
natureza, artesanato, acampamento, ordem unida e jogos. O Departamento expandiu
o programa de treino, fazendo-o mais compreensíveis em 1962. Para ajudar os
diretores de clubes e conselheiros a entender o programa total de
desbravadores, o Departamento alguns anos depois publicou um novo e atualizado
trabalho chamado Manual da Diretoria dos Desbravadores.
Uma música "Desbravadores" escrita por Henry Berg apareceu em
1952, como uma marca acrescentada para identificar os Desbravadores:
Henry T. Berg
“Nós somos os
Desbravadores, os
servos do Rei dos reis!
Sempre avante, assim, marchamos,
Fiéis às suas leis.
Devemos ao mundo anunciar
As novas da salvação;
Que Cristo virá em breve
Dar o galardão.”
A ênfase espiritual desse hino também apareceu nas atividades dos
desbravadores. No mesmo ano, 1952, os clubes de Wisconsin participaram num
programa na noite de Halloween, reunindo, coletando latas de alimentos que eles
distribuíram entre os pobres. A atividade tornou-se um evento anual para os
desbravadores através da América do Norte. Mais de 125 meninos e meninas
participaram do programa na cidade de Nove Iorque em 1953, saudando as pessoas
da casa com:
Hoje é à noite do "trick ou treat" Mas não é esta a
razão pela qual estamos aqui. Gostaríamos de algum alimento enlatado para os
pobres, dando-lhes a oportunidade de um Dia de Ação de Graças feliz.
Enquanto coletavam os alimentos, os desbravadores ofereciam literatura
adventista, incluindo “Sinais dos Tempos”, “Guide”, a “Mocidade” e “Estes
Tempos”, para as pessoas e um folheto que apresentava os desbravadores e
convidava o leitor a se escrever num curso de correspondência bíblica. A
natureza religiosa do clube também apareceu em seu programa "Compartilhe
Tua Fé". Aos meninos e meninas estudaram a Bíblia a desenvolverem um
íntimo relacionamento com Jesus Cristo e a igreja, eles partilhavam suas
experiências com outros e os animavam a aceitarem a Jesus também. Alguns
desbravadores conduziram reuniões evangelísticas, testemunhando para seus
colegas e adultos.
Numerosos exemplos dessas atividades apareceram nas publicações
adventistas. Os Desbravadores de Chula Vista, Califórnia, distribuíram
literatura adventista para o povo na sua área e participaram de esforço
evangelístico na igreja. Os membros do Hapi Lanta Clube, em Atlanta, Geórgia,
apareceram quatro vezes nas maiores televisões de Atlanta e partilhando sua fé
com as pessoas daquela cidade. Eles também visitaram os enfermos, matriculando
as pessoas no Curso Bíblico por correspondência e distribuíram cestas de
alimentos entre os pobres. Os desbravadores de Vermont demonstraram como a
participação de atividades seculares pode influenciar alguém para tornar-se um
membro da igreja. Depois de uma excursão de dois dias com alguns desbravadores
de Vermont, alguns não adventistas concluíram que a Igreja Adventista deveria
ser boa para unir-se. Mesmo planejado primariamente para adventistas, o clube
de desbravadores aceitou uma pequena porcentagem de não adventistas e os animou
a tornarem-se membros da igreja.
Quando os Desbravadores saíam para partilhar a sua fé, eles vestiam um uniforme
verde floresta, uma outra marca de identificação do clube. O uniforme ajudava a
manter moral entre os membros, dando-lhe um senso de pertencer a uma
organização importante. Outras ocasiões nas quais os desbravadores usavam
uniformes incluíam as reuniões do clube, cerimônias de investidura e reuniões
especiais da igreja.
O Clube também apresentava seu programa de Campori, um acampamento
patrocinado pela Associação, onde os Desbravadores demonstravam técnicas de
atividades ao ar livre. As unidades individuais, treinadas e equipadas para
viver ao ar livre, se reuniam num programa no qual se combinavam o secular e o
espiritual por 3 ou 4 dias. Estas atividades ao ar livre, se uniam num programa
no qual se combinavam o secular e o espiritual por 3 ou 4 dias.
A literatura do clube cita que o primeiro Campori de desbravadores se reuniu 7
a 9 de Maio de 1954, em Idyllwild, Califórnia, mas há evidência que os
desbravadores no sul da Nova Inglaterra e os seus líderes passaram um fim de
semana em Winnekeag, demonstrando técnicas de acampamento e tendo recreação.
O maior Campori realizado nos primeiros três anos de aceitação dos Camporis
tomou lugar em Oneill Park, perto de Santa Ana, Califórnia, de 12 a 21 de
Outubro de 1956, onde 850 pessoas representavam o sul e o sudeste das
Associações da Califórnia. O primeiro Campori da União ocorreu em 11 a 14 de
Abril de 1960, em Lone Pine, Califórnia.
A denominação começou a dar mais ênfase aos desbravadores através da celebração
anual do Dia dos Desbravadores que começou em 1957. No sábado designado pela
Associação Geral, usualmente o terceiro ou quarto sábado em setembro, os
desbravadores deveriam dirigir o culto divino usando o programa preparado pelo
Departamento de Jovens da Associação Geral. Neste dia, os membros do clube
vestiam seus uniformes, sentavam num lugar separado para eles e relatavam à
igreja seus objetivos e realizações. Tentando fazer a igreja consciente de sua
responsabilidade para o clube, os desbravadores apelavam para novos membros e
solicitavam a assistência dos adultos nas reuniões do clube.
A participação do culto dava aos desbravadores um senso de pertencer à Igreja.
A expansão do programa de clube também incluía um livro guia especializado no
estudo na natureza e vida ao ar livre. O Departamento de Jovens da Associação
Geral estabeleceu comissões e pediu a vários indivíduos para prover manuscritos
e fotografias. Skinner visitou os líderes dos escoteiros e com a sua permissão
selecionaram pinturas e diagrama dos seus arquivos para serem usados na
preparação do livro guia. Lawrence Maxwell então trabalhou com o Departamento
de Jovens e preparou o Guia de Camping (Acampamentos) que o Departamento de
Jovens publicou em 1962.
Enquanto servindo como editor de Guide, Maxwell também publicou muitos artigos
sobre as atividades dos Clubes de Desbravadores através da América do Norte e
ás vezes recomendava coisas que os clubes poderiam fazer para enriquecer seus
programas e assim ajudar a enfrentar as necessidades da juventude adventista.
Desta maneira, os desbravadores em Danville, Illinois, imprimiram o primeiro
jornal, “Novas dos Desbravadores”, e construíram a primeira sede do
Clube em Illinois em 1953.
Os desbravadores em Reading, Pensilvânia, dirigidos por Robert Kershner, se
empenharam num fim de semana de atividades no parque estadual. Os membros do
clube em Los Angeles e New Hampshire participaram do "Treat em lugar do
Trick" dos desbravadores, um projeto que Maxwell especialmente
recomendara.
O programa de desbravadores beneficiava meninos e meninas em outras áreas
também. Dirigidos por Neil Jones, os desbravadores de Cedaredge, Colorado
saíram em excursão para jogar. Os desbravadores de Idaho participaram no quarto
Congresso de Juvenis da Associação realizado na Academia Gen Atate. O grupo do
Air Capitol e a Escola de Wichita, Kansas ganharam o primeiro prêmio na seção
para juvenis de flutuar ao entrarem no Concurso na Feira Anual de Salvação. Os
desbravadores de Washington adquiriram técnicas em rádio, cestaria e fogueira.
Os desbravadores Moneton em New Brunswick cancelaram sua excursão e reuniram
alimentos que deram para as famílias necessitadas que tinham pouco ou nenhum
alimento para comer.
Os membros do Clube ressuscitado de Santa Ana fizeram um quadro de nós em 1954.
Lawrence Maxwell começou um clube na igreja de Sligo, Takoma Park, Maryland, e
levava os membros do clube para acampamentos de fim de semana duas vezes por
ano.
O apelo destas variadas atividades foi refletido nas estatísticas do clube. Em
1957, sete anos após ter recebido reconhecimento oficial a América do Norte
tinha 717 clubes com 14.722 desbravadores e 3.527 líderes adultos.
É, bem parece que a organização dos desbravadores estavam cumprindo as
necessidades da juventude adventista. Mesmo que não supere totalmente a
sociedade dos Missionários Voluntários, dirigia as atividades seculares e
também meninos e meninas adventistas. A ênfase espiritual do primeiro trabalho
jovem denominacional agora se expandiu no programa geral que tenta manter os
interesses das crianças da igreja.
Fonte: Apostila “Uma Eterna
Aventura- 50 Anos de História” da UCB